Hotel Fazenda Florença

Dicas Culturais – REPORTAGEM REVISTA DE BORDO DO MÊS DE JULHO –EMPRESA AEREA AZUL

REPORTAGEM REVISTA DE BORDO DO MÊS DE JULHO –EMPRESA AEREA AZUL

 

NO LAR DOS BARÕES

A 130 km da capital fluminense, o Vale do Café contempla 15 cidades e inúmeras fazendas centenárias que exibem a suntuosa arquitetura neoclássica e convidam a conhecer os costumes da nobreza brasileira da época do “ouro verde”
Por  Bárbara Ferreira Santos    
Fotos  Andrea D’Amato

 

Paisagem verde constante, num so-be e desce típico de serra, já foi quase totalmente dominada por uma única vegetação: pés de café. Uma sequência sem-fim de arbustos, alcançando 15 municípios no Sul do Estado do Rio de Janeiro que, nos idos de 1860, davam cerca de 75% de todo o “ouro verde” consumido no mundo – e praticamente sustentavam a economia nacional. Hoje, porém, pouco dessa plantação é encontrado na região, ainda conhecida pelo nome que ganhou em seu período áureo: Vale do Café.

Localizado a 130 km da capital fluminense e tendo como pontos principais as cidades de Valença, Vassouras e Rio das Flores, o destino vem atraindo os holofotes por seu potencial turístico. Se ele não conseguiu conservar o café, soube muito bem cuidar dos legados arquitetônico e cultural provenientes de seu cultivo. Afinal, quando lar dos grandes barões, seus municípios e fazendas receberam influências do neoclássico europeu, o movimento da moda até meados do século 19, além de mobílias, obras de arte e porcelanas trazidas diretamente do Velho Continente.

Sua herança histórica é tão particular que o local foi eleito para sediar um dos mais importantes eventos de música erudita do País. Prestes a dar largada à sua 14a edição, o Festival Vale do Café homenageia este ano o centenário do samba com shows de Turibio Santos, Cristina Braga, Laila Garin e Zé Paulo Becker, entre outros, além de oferecer apresentações gratuitas de Flávio Venturini, em Vassouras e Barra do Piraí, e oficinas. Os palcos dos shows? As mais bem preservadas praças, igrejas e fazendas do Vale.
Não só a música, mas também a TV enxergou a força cenográfica da região. Escrava Isaura (1976) foi a primeira novela da Globo gravada ali, depois vieram Sinhá Moça (1986), Dona Beija (1986), da extinta Rede Manchete, e Salomé (1991). Em 1994, a equipe de A Viagem, outra produção global, ali desembarcou para utilizar o gramado central da Fazenda Vista Alegre, que hoje funciona como um aconchegante hotel, como cenário do céu sempre presente no folhetim.

Conferir as belezas do destino ao vivo está cada vez mais fácil. Empenhados em fomentar o turismo, donos de grandes propriedades e comerciantes se uniram e desenvolveram o Tour da Experiência, em que fazendas, lojas e restaurantes promovem atividades que são uma verdadeira viagem ao passado. A ideia central é que o visitante vivencie um pouco da cultura e dos hábitos do Brasil imperial, com direito a gastronomia da época, saraus literários e muita, muita história.
Durante todo o ano, 18 fazendas mantêm suas portas abertas aos turistas. A do Paraízo (sim, com z) é a mais autêntica do Vale, com 90% da estrutura e do mobiliário originais. Erguida pelo barão e depois visconde do Rio Preto – que emancipou Rio das Flores, cidade onde a propriedade está localizada –, exibe logo na entrada o maior símbolo de poder dos nobres de outrora: um belo corredor de altíssimas palmeiras imperiais. Seu impressionante acervo de peças conta com máquinas de engenho originais com as iniciais do barão e há uma enorme pintura cobrindo uma parede toda da sala de jantar retratando a Baía de Guanabara do século 19. A obra é do catalão José Maria Villaronga, pintor oficial dos senhores do café.

No mesmo município, a Fazenda União recebe e abriga os visitantes. A propriedade tem 24 suítes com mobília e decoração de época, além de um restaurante equipado com fogão a lenha de 150 anos, de onde saem delícias como pastel de angu, panqueca de taioba – os sabores mineiros foram para lá levados por colonos que migraram quando as Minas Gerais já não enchiam mais seus bolsos – e uma caprichada feijoada servida aos sábados. O dono e colecionador de arte sacra Mario Vasconcellos Fernandes, de 54 anos, montou ainda uma espécie de museu para abrigar seu acervo, majoritariamente de peças do barroco e pratos decorativos. Com estrutura impecável, a fazenda passou por um restauro assinado pelo artista local Gerônimo Magalhães, que esculpiu obras mostrando como eram os métodos de punição aplicados aos escravos na época do Ciclo do Café. Para conhecer toda a propriedade há a oferta de passeios de charrete, de quadriciclo e cavalgadas.

Representante da vizinha Vassouras e construída em meados de 1830, a Fazenda Santa Eufrásia também soube aproveitar a natureza no seu entorno. Com casa-sede circundada por um imenso gramado e uma vegetação exuberante, o local promove piqueniques com direito a jogos como croquet, peteca e frescobol. Já em seu interior, no salão nobre, é mantida a tradição centenária de realizar saraus e apresentações de violão.

Comuns nos séculos passados, os saraus, aliás, são a maneira mais eficaz de transportar o visitante para o Brasil dos grandes barões. O Hotel Fazenda
Florença, em Valença, promove nove opções, sete sobre passagens e personalidades do século 19 e duas sobre o século 20. É a chance de ficar “cara a cara” com nomes como o barão Guaraciba, o negro mais bem-sucedido antes da República, exímio músico e dono de escravos, o conde d’Eu, marido da princesa Isabel, a compositora e pianista Chiquinha Gonzaga e até o escritor Machado de Assis. Divinamente vestidos e dominando o jeito de falar de antigamente, os atores parecem mesmo ter saído de um livro de história.
Para fechar a apresentação é servido um banquete digno da nobreza. Receitas que misturam ingredientes europeus e brasileiros, como camarão, cuscuz, coelho e frutas tropicais, e que fazem uma releitura dos pratos servidos pelos barões, caso do peru à brasileira (com iogurte, mostarda em pó, alho, vinho branco e curry) e da canja de galinha, convidam a prolongar a viagem sensorial. Os móveis de madeira de lei, os utensílios e talheres de prata, as porcelanas e a decoração com quadros, lustres e bengalas antigas também remetem a um período de riqueza que marcou a história nacional. Esculturas do imperador D. Pedro II e da imperatriz Teresa Cristina, instaladas na mesa de jantar, são provas quase reais disso.

 Onde ficar

Hotel Fazenda Florença
Possui suítes simples, porém confortáveis e com lindas vistas do gramado e da vegetação da propriedade, cujas diárias dão direto a pensão completa. Os cafés da manhã e da tarde são fartos, com pães e geleias produzidas na casa, enquanto o almoço e o jantar contam com receitas tradicionais da fazenda.
Est. da Cachoeira, 1560, Valença
 24 2438 1195   hotelfazendaflorenca.com.br

Mara Palace Hotel
Instalado num palacete de 1870 em pleno Centro Histórico de Vassouras, a hospedagem oferece aconchegantes apartamentos e chalés. A área comum possui piscina e um salão onde é
realizado o Chá com Eufrásia Teixeira Leite, um sarau em homenagem à dama que ajudou a criar instituições educacionais na cidade.
R. Chanceler Dr. Raul Fernandes, 121,
Centro, Vassouras
 24 2471 1993   marapalace.com.br

Hotel Santa Amália
Piscinas, quadra poliesportiva, campo de futebol, sala de massagem, sauna e redes distribuídas pelos pátios são algumas das mordomias oferecidas pelo hotel, que ocupa o espaço do antigo Convento
Sacre Coeur de Marie. Os 54 quartos têm ar-condicionado e rede Wi-Fi.
Av. Sebastião Manoel Furtado, 526, 
Santa Amália, Vassouras
 24 2471 7007  

 

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